Executivos do setor de manufatura estão apostando fortemente na inteligência artificial (IA) para impulsionar os lucros, destinando quase metade de seus orçamentos de modernização a essa tecnologia. A expectativa é que, em dois anos, a IA se torne o principal motor de desempenho financeiro. De acordo com o estudo Future-Ready Manufacturing 2025, realizado pela Tata Consultancy Services (TCS) e AWS, 88% dos fabricantes preveem que a IA capturará pelo menos 5% da margem operacional, com um quarto esperando retornos superiores a 10%.
Apesar do investimento crescente em sistemas inteligentes, a infraestrutura de dados ainda é frágil, e as estratégias de gerenciamento de risco dependem de métodos manuais caros. A pressão para extrair valor monetário da tecnologia nunca foi tão alta, com 75% dos entrevistados esperando que a IA seja um dos três principais contribuintes para as margens operacionais até 2026. No entanto, a alocação de recursos para IA supera significativamente outras áreas críticas, como a requalificação da força de trabalho e a modernização da infraestrutura de nuvem.
Embora a IA prometa otimização dinâmica de inventário, muitos fabricantes ainda preferem medidas de segurança físicas, como o aumento do estoque de segurança e a logística de múltiplas fontes. Apenas 26% utilizam planejamento de cenários por meio de gêmeos digitais para lidar com a volatilidade. Essa desconexão entre o potencial da IA e a prática atual evidencia a necessidade de uma transição de medidas reativas para respostas proativas e orientadas por sistemas.
A principal barreira para os retornos financeiros não são os modelos de IA, mas sim os dados que os alimentam. Apenas 21% dos fabricantes afirmam estar totalmente preparados para a IA, com dados limpos e unificados. A maioria opera com prontidão parcial, enfrentando problemas de qualidade inconsistente entre diferentes plantas. A integração com sistemas legados é o principal desafio, citado por 54% dos entrevistados, além de preocupações com segurança e governança, que lideram a lista de obstáculos em nível de planta.
Apesar dos desafios, a indústria avança em direção à IA autônoma, com 74% dos fabricantes esperando que agentes de IA gerenciem até metade das decisões de produção de rotina até 2028. Atualmente, 66% das organizações já permitem ou planejam permitir que agentes de IA aprovem ordens de trabalho rotineiras sem intervenção humana. Essa progressão altera fundamentalmente a força de trabalho, com ganhos de produtividade concentrados em funções intensivas em conhecimento.